REPORTAGEM: BRAGANÇA - BELENENSES

Quis assim o destino que o Belenenses se deslocasse pela terceira vez ao norte do país para disputar os quartos de final da Taça de Portugal.
Depois de Paredes, Gondomar e Odivelas, Bragança foi o destino final dos cerca de 30 ultras da Fúria Azul que tiraram o seu dia de trabalho e de escola para acompanharem o Belenenses rumo ao Jamor.



Com a saída prevista às 5 horas da manhã, o bus azul saiu de Belém carregadíssimo de cerveja no gelo que acompanhou o pessoal pela longa viagem de seis horas até Trás-os-Montes.
Pela primeira vez este ano, o jogo referente aos quartos de final desta competição foi disputado a um dia de semana, o que dificultou a movimentação de pessoal até ao norte.
Pelo caminho ficou um ambiente animado que só foi interrompido à chegada a Bragança por quatro leitões e vinho à descrição trazidos por um adepto azul da Bairrada.
A porta da bancada superior do municipal de Bragança serviu de banquete para as duas camionetas de adeptos azuis vindas de Lisboa.



O início da partida aproximava-se e metade da curva norte do estádio municipal de Bragança encontrava-se já repleta de belenenses. Muitos azuis residentes do norte compunham a bancada de um recinto desportivo que estava completamente lotado com uma assistência que rondaria as 8000 pessoas.
Na entrada das equipas a Fúria fez colorir a bancada visitante com fumos brancos e azuis, uma bonita fumarada que foi complementada com estandartes.
Quanto ao nível vocal, a Fúria esteve ao seu nível, baixando um pouco após o golo do Bragança mas tendo em conta o número de elementos presentes fez-se ouvir durante largos e bons períodos.



A formação de Jorge Jesus mostrou logo desde cedo ser de outra dimensão, mas essa evidência esbateu-se quando uma falha de marcação permitiu a Rui Nélson bater um canto que Tony desviou ao primeiro poste para golo.
Nesse instante o Belenenses descaracterizou-se. A lesão de Costinha, logo a seguir, provocada por uma entrada maldosa de Tony, quebrou o ritmo do Belenenses e o Bragança aproveitou para impor o futebol alegre e feito de progressões sustentadas no meio-campo adversário, com uma ou outra oportunidade de golo pelo meio.



O Belenenses ganhou novo ânimo a partir de então e partiu para vinte minutos de domínio em que deu a volta ao jogo.
Quando o Belenenses apertou, porém, fez dois golos. Ambos em jogadas de bola parada, ambos aproveitando falhas de marcações que só são normais em equipas inferiores. Dady, primeiro, Nivaldo, depois, silenciaram o Municipal de Bragança por momentos. Mas apenas por momentos. Pouco depois o público voltou a fazer a festa e até após o apito final fez questão de despedir-se do jogo com uma salva de palmas. Um jogo que acabou com alguma polémica. Josivan que entrara pouco antes no jogo, já em tempo de descontos, ainda voltou a empatar o jogo, mas a jogada foi anulada por fora-de-jogo.




Jorge Jesus comentou: “Se calhar pelo que o Bragança fez merecia ir ao prolongamento. Quero dar os parabéns ao adversário, que mostrou ser uma equipa ponderada. Quero também dar os parabéns ao seu treinador pela estratégia que montou e que nos criou imensas dificuldades durante a primeira parte. Ao intervalo conversei com os jogadores, expliquei-lhes no que era preciso melhorar, melhorámos muito na segunda parte e acabámos por ganhar o jogo. Mas tivemos muitas dificuldades, não conseguimos dar dimensão ao jogo. Das três equipas da II Divisão, o Bragança foi a que mais qualidade mostrou. Acabámos por nos apurar para as meias-finais que era o que queríamos e por isso saímos daqui felizes. O que me pareceu o lance do golo anulado ao Josivan? Não quero falar da arbitragem, para falar dessa jogada também tinha falar de um possível penalty sobre o Eliseu”.



No final e com os ânimos exaltados dos adeptos do Bragança por terem perdido o encontro, fizeram-se sentir algumas provocações de parte a parte. Sem nunca puxar pelo bastão ou pelo método de identificação, a polícia desde cedo mostrou estar sem qualquer preparação para lidar com climas agitados.

Após as provocações verbais, a polícia conseguiu orientar os adeptos do Bragança para fora do estádio, no entanto, aqueles que enquanto estavam lá dentro não deram o corpo à luta, decidiram, cobardemente arremessar pedras de fora para dentro do estádio. Perante a chuva de pedras que cobria o sector ultra e que por sorte não atingiu ninguem, a Fúria deslocou-se para uma saída contrária passando por alguns elementos do Bragança que conseguiram chegar à bancada. A situação descontrolou-se. A batalha campal à moda antiga instalou-se. A Fúria investiu numa luta de igual para igual e ninguém saiu a rir. Resultado: a polícia acabou por algemar um adepto do Bragança.



A saída para o bus acabou por ser feita com tranquilidade mas sob escolta policial, tendo em conta a multidão que se aglomerou junto à entrada principal.

A viagem de regresso fez-se com tranquilidade e o Belenenses está nas meias finais da taça de Portugal a 90 minutos do Jamor !


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