1946 - 2006: DA GLÓRIA À SAUDADE
Publicado sexta-feira, maio 26, 2006 ás 22:41.
Faz hoje 60 anos que o Belenenses venceu e comemorou o Campeonato Nacional da 1ª Divisão, o maior título em futebol, da maior prova do desporto português.Já antes o Belenenses havia conquistado 3 Campeonatos de Portugal da máxima competição, ( tantos quanto Benfica e só menos um que Porto e Sporting ), 5 Campeonatos de Lisboa e uma Taça de Portugal. Aliás nos triunfos precedentes obtidos na década de 40 ( um Campeonato de Lisboa em 1943/44 e a Taça de Portugal em 1941/42 ) já haviam estado presentes alguns dos campeões de 1946.
A ultima partida foi disputada em Elvas na época de 1945/1946 e não poderia ter começado da pior maneira para o Belenenses: o elvense Patalino inaugurou o marcador com pouco mais de um minuto decorrido. Pior ainda, até ao intervalo o Belenenses foi uma equipa completamente assomada pelos nervos, apática e desorientada. Pelas palavras de Artur Quaresma:
“O Patalino marcou e a maioria dos nossos jogadores tremeram. Ao intervalo, o moral estava de rastos. Alguns companheiros ficaram desorientados e até o grande Amaro, o capitão, foi-se abaixo. O Vasco e eu, que éramos mais descontraídos e frios, começámos a puxar por eles.”
Amaro, segundo contaram os colegas, chegou às lágrimas, desesperado e desorientado. E foram de facto Vasco e Quaresma, mas também José Pedro e Rafael, os que mais tentaram animar a equipa, mantendo viva a esperança....
Na segunda parte e com as notícias dos golos que asseguravam a vitória do Benfica (4-2) o Belenenses finalmente ressuscitou. Com Vasco a dar o “mote”, como relatou Artur Quaresma:
“O Vasco mostrou grande vontade de vencer e na segunda parte praticamente ganhou o jogo. Fez uma corrida diabólica pelo lado direito, deu-me a bola e fiz o golo. A equipa começou a animar e conseguiu o 2-1.”
Segundo certos registos o golo de Quaresma surgiu aos 66 minutos, enquanto o segundo golo, da autoria de Rafael – também “servido” por Vasco – teria sido aos 75 minutos. Outra versão fala do golo de Quaresma aos 75 minutos com o golo de Rafael “cinco minutos depois”. Neste caso enquadra-se perfeitamente nos famosos 15 minutos à Belenenses. Mas independentemente dos minutos, foi um final de jogo “à Belenenses”.
No final do jogo, os adeptos invadiram o campo e abraçaram-se aos jogadores os jogadores azuis abraçaram-se no centro do campo, desfeitos em lágrimas. Disse depois Feliciano: “Quando terminou o encontro de Elvas estávamos todos arrasados, completamente exaustos, Mas ficámos ali no campo a chorar de alegria ". Tinham sido os mais emocionantes 15 minutos à Belenenses...”
O regresso a Lisboa foi apoteótico. Os carros particulares que transportavam os jogadores logo ficaram retidos no Cais do Sodré. Como contou José Sério, então guarda-redes suplente:
“Os carros foram obrigados a parar e o trajecto até Belém foi lento, com muita gente nas ruas a agitar bandeiras.



